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  • Estevan Lemos

Estruturas de Aço - Light Steel Framing


O sistema construtivo conhecido como Light Steel Framing (LSF), está extremamente inserido no contexto atual da construção civil, visto a necessidade de modelos construtivos rápidos e baratos - para atender a demanda populacional -, e ecológicos - para evitar impactos negativos ao meio ambiente. Esse modelo funciona através do encaixe de perfis de aço que formam a estrutura de sustentação de uma edificação.

Apesar de no Brasil ainda ser considerado uma inovação, a origem dessa técnica remonta ao início do século XIX, quando os Estados Unidos necessitavam atender ao aumento da demanda por novas edificações. Como a tecnologia da época era bastante simplória, fez-se uso dos recursos naturais, desenvolvendo-se; portanto, o Wood Framing (wood, madeira; framing, esqueleto ou estrutura). Esse sistema construtivo consistia em desenvolver os elementos estruturais das edificações a partir de cortes de madeira, com baixo custo, simplicidade e velocidade. Em seguida, o Steel Frame foi apresentado pela primeira na Feira da Construção de Chicago, por volta de 1933, como uma alternativa ao Wood Frame.

O sistema Light Steel Framing ou simplesmente Steel Framing (light steel, aço leve; framing, estrutura) é formado por perfis de aço revestidos por uma camada de zinco ou de liga alumínio-zinco (aço galvanizado). Esse revestimento se faz necessário pois o aço puro não resiste tão bem à corrosão quanto o zinco. Assim, os perfis são pré-fabricados por fornecedores e posteriormente unidos aos elementos de estrutura, acabamento ou fechamento, seguindo o mesmo conceito estrutural do Wood Framing.

Desse modo, o LSF proporciona uma construção rápida, limpa e organizada, como diz o engenheiro da Brasgips (empresa que atua no ramo há vinte anos), Josélio Rodrigues Junior: a redução do prazo da obra é de 50% se comparado ao modelo convencional, e o custo da construção cai de 25 a 30%. Além disso, pelo fato de o LSF ser formado por peças pré-fabricadas, é altíssima a precisão da execução e do orçamento, gerando menos entulho.

Ao que tange o assunto da construção propriamente dita, as fundações mais executadas são do tipo rasas, como sapatas corridas e o radier. Ambos tipos de fundações funcionam como uma laje situada sob o solo a fim de homogeneizar os esforços verticais das estruturas para o solo. Os perfis de aço são então fixados nas fundações, e passam a ser fixados entre si, formando a parte estrutural da edificação.

Como os perfis são abertos, as instalações elétricas e hidráulicas são feitas nos vãos das placas, para em seguida serem preenchidas com material de vedação, como lâminas cimentícias ou gesso acartonado. A maioria das paredes LSF são ocas, sustentando os requisitos térmicos e acústicos apenas com o colchão de ar formado entre os perfis de aço e as chapas de fechamento. No entanto, é possível instalar mantas com características térmicas e acústicas como a lã de rocha, a lã de vidro ou a lã de pet.

Infelizmente, o LSF não é amplamente aplicado no Brasil. Acredita-se que somente 3% das edificações no território nacional são do tipo Steel Frame. Comparando com outros países: na década de 90, 25% das novas construções norte-americanas eram feitas com esse modelo construtivo e 35% das construções de 2009 no Chile foram feitas no estilo LSF.

Esse contraste se deve ao fato de que a construção civil no Brasil ainda é muito enraizada nas obras feitas com concreto. Desse modo, há pouca mão de obra especializada no tipo LSF e também há pouco conhecimento da sociedade sobre a existência de formas alternativas de engenharia. Assim, obras de estrutura metálica são destinadas a empreendimentos comerciais, que necessitam de rápida construção para acelerar a maturação de novos pontos de venda. Exemplos de empreendimentos comerciais são os postos de gasolina da franquia Ipiranga e as novas hamburguerias do Mc Donald’s.

Com os argumentos anteriormente ditos, fica claro o atraso do nosso país quanto à execução de novas técnicas construtivas. Tal estagnação do Brasil frente às inovações impedem que o país se desenvolva contornando problemas habitacionais mais rapidamente. Assim, o sistema construtivo do LSF, ou então das casas container (assunto também abordado em outro texto no blog deste site) poderiam ser base para a construção rápida e ecológica de habitações populares como as de “Minha casa, Minha Vida”, por exemplo.

referência: https://www.pexels.com/@pixabay


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